APRESENTAÇÃO

Por Pérola Braz

Orquestras de Pernambuco – Quatro Olhares sobre bandas históricas é um projeto de pesquisa motivado pela importância social, cultural e artística da banda popular, esta instituição que é escola de música e influência na vida comunitária, especialmente no interior. Das milhares de bandas brasileiras e das centenas de bandas pernambucanas, conversamos e convivemos com quatro sociedades musicais vivas, diferentes entre si e de lastros valorosos.
De Rua, de baile, de sinfonia e de escola são chamadas para os desdobramentos destes formatos em cerca de dois séculos de existência no Brasil. Fanfarras, bandas marciais, marchas religiosas, militares e políticas, dobrados, festejos populares, festas socias, carnaval, filarmônicas, sinfônicas, entre outras configurações na progressão da história, são estruturas que pavimentaram a construção de contextos sociais e, notadamente, o surgimento de músicos profissionais.
Um dos estímulos e, também, uma das maiores dificuldades do projeto, foi a falta de literatura sobre o tema. Com poucas exceções, incluindo o importante para o presente trabalho “O Papel das Bandas de Música” (2010), de autoria do sociólogo Renan Pimenta de Holanda Filho, não há publicações aprofundadas sobre as bandas populares do estado, especialmente quando o recorte não é o frevo (este por sua vez exteremamente influenciado pelos dobrados), caso desta apuração.
Fui à campo com intenção de conhecer material de relevância e originalidade por meio de um olhar contemporâneo. Com esse pensamento em mente, entendi que o mapeamento quantitativo em si não traria algo novo, mais interessante para mim seria derramar o olhar sobre as bandas. Segui esse objetivo em busca de recortes estimulantes sobre os caminhos desses grupos, em função de sua valorização e investigação. Cada um tem não só diferentes estéticas como diferentes caminhos de sustentação, propostas artísticas e relação com a comunidade.
Ao percorrer suas histórias e as histórias dentro delas, com personagens do passado e do presente, percebi que as bandas me pediam liberdades individuais e olhares exclusivos. Daí os repórteres convidados Amanda Nascimento, Aline Feitosa, Renato L, Rodrigo Édipo e Kalor Pacheco, além dos fotógrafos Beto Figueiroa e Helder Tavares, sobre: Banda Sinfônica da Cidade do Recife, Sociedade Musical Curica, Banda de Música Saboeira, Banda Marcial Firmino da Veiga e Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos (Super Oara), localizadas nas cidades de Recife, Goiana, Paulista e Arcoverde.
Aqui há histórias do litoral ao sertão, do ontem e do hoje, produzidas por esse time. Relatos documentais e pessoais sobre expressões de arte institucionais, comerciais ou educacionais, por vezes quase extintas. Uma despretenciosa, solta, simples e sincera contribuição à memória cultural brasileira.

 
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